Durante meu tratamento oncológico, aprendi que cada escolha alimentar importa, inclusive aquela xícara de chá que parecia tão inocente. A verdade é que os chás e infusões ganharam um espaço especial na minha rotina, não apenas pelo conforto que proporcionam, mas pelas propriedades que podem, ou não, colaborar com o tratamento oncológico.Neste post, compartilho com você o que aprendi sobre o papel dos chás e infusões na dieta de quem está enfrentando o câncer. É um convite à consciência e ao equilíbrio.

O valor simbólico e terapêutico do chá
Durante o tratamento, percebi que não era só o corpo que precisava de cuidado, minha mente e meu emocional também pediam atenção. E foi nesse contexto que os chás e infusões ganharam um novo significado para mim. Mais do que o líquido quente em si, era o momento que eles criavam: uma pausa no meio do caos, um ritual de presença, um respiro no meio da tempestade.
Sentar com uma xícara de chá entre as mãos me fazia desacelerar. Era como se aquele pequeno gesto fosse um lembrete de que eu ainda tinha autonomia sobre algo. Mesmo quando o apetite ia embora, ou quando os efeitos colaterais da quimioterapia pareciam dominar tudo, o chá estava ali sendo suave, gentil, acolhedor.
Com o tempo, percebi que o valor dele não estava só nos compostos da planta, mas na experiência como um todo. O calor, o aroma, a textura… tudo isso ativava sentidos que muitas vezes estavam entorpecidos pelo tratamento. Era uma forma de me reconectar comigo mesma.
Claro que isso não significa substituir medicamentos por infusões. Mas acredito que o chá pode ocupar um espaço simbólico muito poderoso: o de cuidar de si com delicadeza, mesmo em meio à dureza do processo. Ele não é cura, mas pode ser alívio. Não é tratamento, mas pode ser presença.
Essa consciência me ajudou a olhar para cada hábito com mais atenção. Afinal, o autocuidado também mora nesses pequenos rituais. E foi com esse olhar que comecei a incorporar os chás na minha rotina, sempre com orientação e propósito, respeitando os limites do meu corpo e do meu tratamento.
Quais chás são recomendados durante o tratamento oncológico?
Há algumas infusões reconhecidas por seus benefícios leves e seguros, especialmente quando usadas como complemento e com moderação. Aqui estão algumas das que usei e que muitos nutricionistas indicam:
1. Chá de camomila
É calmante, ajuda a controlar a ansiedade e pode contribuir para um sono mais tranquilo. Além disso, auxilia na digestão, algo valioso nos dias em que o estômago não está dos melhores.
2. Chá de hortelã
Refrescante e digestivo, ele me ajudou muito nos enjoos. A hortelã tem ação antiespasmódica, o que também pode aliviar desconfortos gastrointestinais comuns durante a quimioterapia.
3. Chá de gengibre
Um verdadeiro clássico contra náuseas. O gengibre, quando consumido com moderação, foi um dos meus grandes aliados. Mas atenção: por ser termogênico, seu uso deve ser avaliado junto à equipe médica.
4. Chá de erva-doce
Outro queridinho meu. Tem ação anti-inflamatória suave, é digestivo e traz uma sensação de conforto ao organismo.
Se você está se perguntando como organizar sua alimentação de forma segura e estratégica durante o tratamento, recomendo a leitura deste artigo: Nutrição durante a quimioterapia: entenda sua importância no tratamento de câncer.
E os chás que devem ser evitados?
Nem toda infusão natural é inofensiva. Durante minha jornada, aprendi que alguns chás podem interferir na absorção de medicamentos ou estimular funções do corpo que não são ideais para quem está passando por um tratamento delicado como o oncológico.
Veja alguns exemplos:
1. Chá verde
Embora seja famoso por seus antioxidantes, o chá verde pode interferir na eficácia de certos medicamentos quimioterápicos. Por isso, seu uso exige orientação profissional.
2. Chá de boldo
Conhecido por ajudar o fígado, o boldo pode sobrecarregar o órgão em vez de auxiliá-lo durante a quimioterapia, prejudicando o metabolismo dos medicamentos.
3. Chá de canela
É estimulante e pode alterar a pressão arterial. Em alguns casos, também pode promover contrações uterinas, um risco para mulheres em tratamento oncológico.
4. Chás detox
Prometem “limpeza” do organismo, mas o que fazem, na prática, é acelerar processos que o corpo já está sobrecarregado para gerenciar. Durante o tratamento, o melhor é poupar o fígado e os rins de tarefas extras.
Esse tema é tão relevante que recentemente fiz uma aula no meu canal do youtube com o seguinte tema: Chás perigosos para quem tem câncer, que você pode assistir, CLICANDO AQUI .
O papel da moderação e da orientação
A principal lição que ficou para mim é: natural não significa seguro e nem tudo o que parece leve combina com a fase do tratamento. Por isso, mesmo quando se trata de chás e infusões, é fundamental conversar com o médico ou nutricionista que acompanha o seu caso.
Outro ponto importante: evite misturas caseiras ou chás “milagrosos” que circulam na internet. Durante o câncer, buscamos esperança, mas precisamos estar atentos para não cair em promessas vazias. Aprendi isso na pele e, hoje, compartilho para te proteger.
Se você quiser conhecer os alimentos que mais me ajudaram a fortalecer a imunidade, recomendo este artigo: 10 alimentos para aumentar a imunidade durante a quimioterapia.
Chás e infusões na rotina: como eu uso hoje?
Mesmo após o fim da quimioterapia, mantive o hábito de tomar chás. Eles fazem parte do meu autocuidado, mas hoje os escolho com mais consciência. A rotina mudou, meu corpo mudou, e o chá acompanha esse novo tempo com leveza.
Em dias mais introspectivos, escolho camomila. Para reuniões longas, prefiro a hortelã. Quando sinto a imunidade baixa, recorro à erva-doce. Tudo com equilíbrio e respeito ao meu corpo.
Esse processo me ajudou a entender que o autocuidado não é feito de grandes revoluções, mas de pequenas escolhas conscientes, como uma xícara de chá.
Por falar em escolhas conscientes, esse conteúdo pode te interessar: Dez alimentos que causam câncer.
Um convite ao autoconhecimento e à escuta do corpo
Se eu puder te deixar uma mensagem, é essa: escute o seu corpo. Converse com os profissionais que te acompanham. E, acima de tudo, seja gentil consigo mesma.
O chá não é vilão, mas também não é herói. Ele é um coadjuvante que, se bem escolhido, pode trazer conforto, calor e até alguma ajuda no alívio dos sintomas. Mas o tratamento oncológico é algo complexo demais para receitas fáceis ou fórmulas milagrosas.E se quiser conhecer mais sobre como a alimentação pode ser uma aliada real no tratamento oncológico, e não apenas simbólica, te convido a visitar meu outro projeto: Minha Alimentação Anticâncer. E para quem passou por uma mastectomia, compartilho aqui minha experiência pessoal com reconstrução: Mastectomia com reconstrução.





